(Em Diário do Minho, 08/03/18)
quinta-feira, 8 de março de 2018
Margarida Vilarinho
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
Subfinanciamento crónico
Mas, se bem repararmos, a queixa é muito generalizada. De subfinanciamento crónico queixam-se também as autarquias locais, que invocam, e com razão, o facto de nem sequer se cumprir o que determina a lei das finanças locais. De subfinanciamento queixam-se fortemente os hospitais e, em geral, todo o Serviço Nacional de Saúde.
E o que dizem as forças policiais (GNR, PSP, SEF) chamadas a garantir a importante missão de segurança das pessoas? Não invocam a falta de meios financeiros?
E os serviços de inspecções, que tão necessários são para garantir o bom funcionamento da máquina administrativa na prossecução do interesse público: não é de falta de financiamento que se queixam, dizendo, por exemplo, que nunca se preenche devidamente o quadro de pessoal?
Mas se assim é, então financie-se devidamente todos esses serviços. É nesta altura que alguém, alguém de bom senso, dirá que não somos um país rico que tal permita, mesmo recorrendo ao crédito e aumentando o défice. A solução tem de passar por nos habituarmos a viver com dificuldades, sem prejuízo de se melhorar o financiamento público, na medida do que é financeiramente suportável, e fazendo a melhor gestão possível, tendo em conta as devidas prioridades.
(Em Diário do Minho, 01/02/18)
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Um comboio suburbano que nos engana…
No entanto, os comboios que nela circulam estão a necessitar urgentemente de ir às oficinas para não suceder o que passamos a descrever:
A composição da frente, por sua vez, não dava informações erradas pela simples razão de não dar informação nenhuma. O ecrã estava negro. Os passageiros habituais conseguem contornar estas dificuldades, mas o mesmo já não sucede com os restantes. Os passageiros vão-se habituando a um serviço deficiente da CP, o que é muito mau.
(Em Diário do Minho, 18/01/18)
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Lição de uma jovem colega
Aconteceu no bar do grill da Universidade do Minho, no fim de semana passado (15/12/2017). Encontrei uma colega à hora de almoço nos corredores da Escola de Direito e combinámos almoçar.
De notar que temos no restaurante e no grill da UM um serviço de refeições de boa qualidade com pessoal da casa. Duvido que tivesse a mesma qualidade se fosse um serviço concessionado.
Bebemos apenas água. Mas enquanto eu levei, com a sopa e o prato, água numa garrafa de plástico, a minha jovem companhia de mesa, que ia mais à frente na fila, levou no tabuleiro um copo de água da torneira.
E, perante a minha curiosidade, o argumento dela foi bem simples. Disse: se não confiamos na água da torneira, que é constantemente vigiada, então como é? Sucede, ainda, acrescentou, que não sabemos quando e como é controlada a água da garrafa.
Calei-me e apenas disse que a minha opção tem o enorme defeito de contribuir para o assustador aumento do lixo de plástico.
Já tinha recebido igual lição em Lisboa por parte da Presidente da Assembleia Municipal, que num jantar, depois de uma sessão pública, também bebeu água da torneira e não de garrafa, no que tive de a acompanhar.
Sei que esta opção pela água da canalização suscita muitas resistências e que não será fácil para quem tem meios financeiros largar a garrafa de água com um rótulo a prometer bebida de excelente qualidade. Por outro lado, aos restaurantes e cafés também não lhes agradará a ideia de ficarem sem esta fonte de receita tão importante no seu dia-a-dia.
No entanto, há razões para beber água da torneira: ela é vigiada e analisada e está em condições de ser consumida. Não tem sentido aumentar as montanhas de plástico que a água engarrafada provoca. É de admitir, quando muito, a água em garrafa de vidro, dado que este material é reciclável.
Para se levar a cabo esta revolução no consumo, é importante uma política activa dos municípios e das autoridades de saúde, incentivando o hábito de beber a água potável que chega às nossas casas e aos cafés e restaurantes em boas condições através da rede pública de distribuição.
(Em Diário do Minho, 22/12/17)
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Braga-Porto: os comboios rápidos são lentos!
(Em Diário do Minho, 23/11/17)
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Fogos e florestas
É necessário conservar todos os registos fotográficos que sejam possíveis e preservar, para memória futura, os nefastos efeitos de uma calamidade desta envergadura. E será importante comparar com fotografias das mesmas áreas daqui a cinco anos.
Até agora, tem sido dada uma especial atenção a este grave problema, quer por parte do poder político, quer pela sociedade civil, não só entre nós, como em todo o país.
Ainda ontem, dia 15 de Novembro, teve lugar, no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade do Minho, um debate acerca dos incêndios florestais, da gestão do território e da responsabilidade social pelos fogos, contando com a presença de oradores de variadas vertentes do saber.
Esta será uma sessão importante também por nela se apresentar a Licenciatura em Protecção Civil e Gestão do Território, uma das mais recentes licenciaturas da Universidade do Minho, que ficará integrada no departamento de Geografia do ICS desta instituição de ensino.
Todos estes contributos são importantes. É fundamental debater os problemas e encontrar soluções, apostando também na formação de novos quadros e preparando-os devidamente para os desafios que a Natureza nos coloca.
Os próximos meses serão um importante teste aos portugueses, à sua capacidade de enfrentar com seriedade este problema e de lhe dar uma solução adequada.
Este ano comprovou-nos que, apesar de muito necessário, não podemos contentar-nos com o mero combate aos fogos, nem mesmo com acções de prevenção (ainda que estas sejam absolutamente essenciais). É preciso ir mais longe e modificar profundamente a política em Portugal.
A legislação neste domínio deve ser uma das mais significativas expressões dessa politica e, neste momento, ela é, não só dispersa, como descoordenada.
(Em Diário do Minho, 16/11/17)
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Colecções de leis em perigo
Repare-se que hoje é possível, através da página da Assembleia da República, consultar os debates parlamentares ocorridos em Portugal desde o século XIX (mais concretamente, desde 1821), num trabalho dos serviços da Assembleia da República que merece todo o aplauso. Não obstante, continua a não ser possível ter acesso às leis efectivamente publicadas nesse mesmo período, muitas delas resultantes desses debates.
Em Braga, temos a sorte de poder aceder a boa parte desses diplomas legais através da venerável Associação Jurídica (AJB), que possui colectâneas de legislação de quase todo o século XIX e de parte da I República.
Estes textos legislativos encontram-se, também, na Biblioteca Pública de Braga, podendo nela ser consultados, desde que seguindo as formalidades do respectivo regulamento.
Problema grave será que essas coleções possam acabar por desaparecer. Para evitar que tal suceda, seria bom que instituições, públicas ou privadas, as obtivessem, por generosidade dos seus proprietários ou a um preço acessível.
Não podemos criticar os proprietários pelos riscos que correm essas obras, pois muitos deles terão dificuldades de manutenção das mesmas, pois requerem espaço e especiais cuidados de conservação que custam dinheiro.
O que podemos é fazer o que estiver ao nosso alcance para que esse património não se perca e antes seja colocado ao dispor de quem precise, ou tenha o gosto, de as consultar e ler. A primeira e urgente tarefa é procurar saber quem o possui e conversar.
(Em Diário do Minho, 02/11/17)