Há quem afirme convictamente que a política é poder e interesses, querendo dessa forma dizer que a política é uma luta pelo poder para defesa dos interesses de quem o alcança.
Mas também há quem afirme que a política é a luta pelo bem comum e pelo respeito dos direitos humanos. O poder político existe para defesa do bem de todos, com o consequente respeito pelos direitos fundamentais das pessoas.
O problema é saber de que lado estamos. Uns veneram a força, outros veneram o direito. Pela nossa parte, não temos dúvidas. Estaremos do lado da política como luta pelo bem comum, pelos direitos das pessoas a nível local, regional, estadual, europeu e mundial.
Estas concepções da política podem ser testadas a nível estadual nos recentes casos da Ucrânia, da Palestina e da Venezuela. Os que defendem que é normal que um país interfira noutro estão do lado da força bruta e acham normal o que fazem os actuais donos da Rússia, de Israel e dos Estados Unidos. Os que defendem o direito, nem precisam de recorrer aos excelentes e bem recentes documentos da Igreja, basta lembrar que existe uma Carta das Nações Unidas (tratado internacional), subscrita pelos quase 200 Estados-membros da ONU, que diz logo, no seu extenso artigo 1.º, que deve ser lido atentamente, quase como uma oração laica e sem pressas:
"Os objectivos das Nações Unidas são: 1. Manter a paz e a segurança internacionais e para esse fim: tomar medidas colectivas eficazes para prevenir e afastar ameaças à paz e reprimir os actos de agressão, ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos, e em conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajustamento ou solução das controvérsias ou situações internacionais que possam levar a uma perturbação da paz; 2. Desenvolver relações de amizade entre as nações baseadas no respeito do princípio da igualdade de direitos e da autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal; 3. Realizar a cooperação internacional, resolvendo os problemas internacionais de carácter económico, social, cultural ou humanitário, promovendo e estimulando o respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; 4. Ser um centro destinado a harmonizar a acção das nações para a consecução desses objectivos comuns".
Dir-me-ão: isso é bonito, mas não se pratica. Direi: tudo devemos fazer para que se pratique. Tudo o que estiver ao nosso alcance. A força é o poder dos fortes sobre os fracos. O direito é a defesa dos fracos contra os fortes. Não nos ajoelhemos perante os donos da força bruta. Não critiquemos as organizações internacionais que velam pela paz. Lutemos pelo fortalecimento e profunda renovação delas, mesmo que seja pouco o que podemos fazer individualmente. Silêncio é que não!
(Em Diário do Minho, 08/01/26)