Costumamos ser cruéis em relação a quem parte cedo, em
relação àquelas ou àqueles a quem a vida não proporcionou bons e longos anos e
ainda carregou, muitas vezes, de tanto sofrimento e dor.
Lembrar, ter presente essas pessoas é para todos nós um dever e, para aqueles que professam a fé cristã, uma forma de a
demonstrar, pois acreditamos que "vivem", mesmo não estando ao nosso lado.
Quem chegou a uma idade avançada, e uma idade avançada
hoje é mais de 70 anos, olha para
aqueles com quem conviveu ou conheceu e tem muito que recordar.
Particular recordação merecem aqueles que utilizaram o
dom da vida para lutar por um mundo mais justo, por um mundo melhor. É por isso que vi com muito
agrado a evocação feita na segunda-feira, dia 5 de Março, a Margarida
Vilarinho, que não conheci muito de perto, mas de quem vi o suficiente, nomeadamente a sua acção na Civitas Braga, para ter dela a indicação de um bom caminho na vida. Pela
minha parte só me pesa não ter estado presente.
P.S.: No domingo passado houve eleições em Itália e
interrogamo-nos: como é possível partidos e movimentos que advogam a
hostilidade para com os imigrantes terem
tanta simpatia, tantos votos? Ficamos a pensar na condição humana e naqueles que
pensam que os outros que se arranjem,
pois o que interessa é o nosso bem
estar. E, no entanto, o sofrimento, o abandono de uma qualquer pessoa em qualquer
lugar deve ser um grito que nos fere os ouvidos. Por vezes, não podemos fazer
muito por eles, mas podemos sempre fazer alguma coisa. E tudo isto é dito sem esquecer que a Itália e a
Grécia não têm lições a receber de
outros países da Europa (a começar por Portugal) nesta matéria. Há gente muito boa em Itália!
P.P.S.: Na segunda-feira à noite, nos canais de notícias
portugueses, nomeadamente SIC, TVI (salve-se a RTP3), a informação e o
comentário não incidia sobre as eleições italianas ou o novo governo na
Alemanha ou outros assuntos relevantes.
Não! Benfica, Porto e Sporting, como de
costume, ocupavam o horário nobre! E depois queixámo-nos. Porca miséria!
(Em Diário do Minho, 08/03/18)